Algumas empresas já descobriram a importância das questões ambientais, que geram um retorno econômico, de imagem e que as tornam mais competitivas dentro do mercado em que estão inseridas. Focando ações em cima da redução de custos e na melhoria da performance econômica dos negócios, e assim, buscando atingir como resultado final, um melhor desempenho ambiental da empresa.
Em relação ao aquecimento global, as oportunidades para as empresas decorrem de dois fatores. O primeiro deriva de regulamentações voltadas para restrições de emissões de carbono, segundo as leis brasileiras. O Brasil não está submetido às restrições de Quioto, mas são crescentes as pressões, num segundo período de negociação, para que os países não incluídos no ANEXO I passem a fazer parte do grupo hoje ocupado por nações mais desenvolvidas, já o outro fator relaciona-se às pressões de mercado, exercidas por stakeholders, no qual a Produção mais Limpa(P+L) se destaca dentre as ferramentas que podem ajudar as empresas a se inserir nesse contexto. Segundo o Relatório de Atividades dos Núcleos Regionais da Rede brasileira de Produção mais Limpa do Sebrae de 2003/2004, existe uma grande relutância para a prática de Produção mais Limpa. Os maiores obstáculos ocorrem em função da resistência à mudança da concepção errônea (falta de informação sobre a técnica e a importância dada ao ambiente natural); a não existência de políticas nacionais que dêem suporte às atividades de produção mais limpa; barreiras econômicas (alocação incorreta dos custos ambientais e investimentos) e barreiras técnicas (novas tecnologias).

Gráfico 1: Distribuição das medidas de P+L identificadas nas empresas.
Fonte: Relatório de Atividades dos Núcleos Regionais da Rede brasileira de Produção mais Limpa do Sebrae de 2003/2004.
Atentando ao gráfico acima, verifica-se que dentre as medidas de P+L identificadas nas empresas, cerca de 80% são passiveis de gerar projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), dependendo das características da empresa (tecnologia, matéria-prima e fonte de energia usada pela empresa). O melhor controle do processo produtivo (22%) poderá ser feito com algumas melhoras na eficiência de caldeiras, motores e outros equipamentos, ou com alguns processos modernos de economia de energia nas indústrias de cimento, ferro e aço; a modificação de produto (42%) para que o uso da matéria prima seja mais eficiente, e assim evitando desperdícios; mudança ou substituição de matéria prima (6%) com o uso de materiais que emitam uma menor quantidade de GEE durante o seu ciclo de vida; mudança de tecnologia do processo (10%) como foi o caso da Mahle Metal Leve S.A.
Em sua unidade de trem de válvulas. Na montagem de um eixo de comando de válvulas é necessário fixar os cames, que são as peças responsáveis pela movimentação das válvulas, sobre o eixo retificado. No processo de montagem, os cames são aquecidos até cerca de 400ºC, dilatando suas medidas e, para seu resfriamento, era injetado dióxido de carbono (CO2) pressurizado (CETESB, 2006).
Após a realização de experimentos na própria empresa, verificou-se que o CO2 usado para o resfriamento das peças poderia ser substituído, com sucesso, por ar comprimido. Esta substituição foi efetivada sem a necessidade de qualquer mudança de equipamentos e processo.
A substituição do CO2 pelo ar comprimido resultou nos benefícios de eliminação do lançamento para a atmosfera de aproximadamente 160 t/ano de CO2 (gás de efeito estufa) e na redução dos custos, com a eliminação da compra de CO2, equivalente a
U$ 150.000/ano.
Visto isso, verifica-se, que se na fase de implementação de projetos de P+L (Produção mais Limpa) tiver um olhar diferenciado para as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa), pode-se fazer com que projetos de MDL quebrem duas das cinco barreiras encontradas pelo Sebrae para a implantação de programas de P+L: barreiras econômicas e técnicas. Como o MDL é um mecanismo financeiro, este poderá gerar capital, a partir da venda das CERs geradas pelo projeto, quebrando assim a barreira econômica, e de acordo com o artigo 10 alínea “c” do Protocolo de Quioto verifica-se que as Partes devem tomar medidas possíveis, facilitar e financiar, conforme o caso, a transferência ou o acesso a tecnologias, Know-how, praticas e processos ambientalmente seguros relativos a mudança do clima, em particular para os paises em desenvolvimento, que é o caso do Brasil, quebrando assim a barreira técnica.
Bom, venho escrevendo este trabalho, com conclusão prevista para dezembro de 2008, mas gostaria de poder aplicar em alguma empresa para poder fazer um estudo de caso e assim tirar melhores conclusões e fazer melhorias.
Se alguém se interessar entre em contato.